terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

I Fórum de Educação Escolar Indígena de Ourilândia do Norte

Caciques das aldeias participantes

A aldeia Turedjam sediou entre os dias 06 e 09 deste mês o I Fórum de Educação Escolar Indígena de Ourilândia do Norte. O evento reuniu lideranças e professores indígenas das sete aldeias do município - Aukre, Kokokuedja, Kranhkrô, Kubenkrankenh, Moidjam, Piokrotikô e Turedjam - além de representantes de várias outras instituições.
 O Fórum foi uma iniciativa da professora não indígena da escola da aldeia Turedjam, Jhenia, que elaborou o projeto e se lançou ao desafio de realizar o primeiro evento de educação indígena do município. 
A Secretaria Municipal de Educação apoiou a iniciativa, assim como outras instituições parceiras, comerciantes, representantes legislativos e o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública da cidade.

Cerimonial de abertura do Fórum
 A cerimônia de abertura contou com a presença da Prefeitura Municipal de Ourilândia do Norte, representada pela vice-prefeita e secretários de diversas áreas, além da Defensoria Pública Municipal, Associação Floresta Protegida, de vereadores apoiadores do evento, educadores do Colégio Pitágoras e a Coordenação Regional Kayapó Sul do Pará.

 
Levantamento das demandas das escolas
Nos demais dias de evento, foram realizadas palestras sobre temas relativos à educação escolar indígena, além de discussões sobre Currículo, Projeto Político Pedagógico, calendário escolar diferenciado, bem como os representantes de cada comunidade documentaram a realidade de suas escolas indígenas, apresentando demandas importantes para a melhoria do ensino.

 O Fórum foi prestigiado por diferentes atores sociais, desde educadores, vereadores, a representantes de outros órgãos municipais e instituições diversas, bem como de universitários das cidades de Ourilândia e Tucumã.

Oficina de Língua Portuguesa

Sem dúvida o Fórum se tornou um marco para a história da educação escolar indígena do município, pois sua realização e, principalmente, a mobilização e repercussão que sua execução proporcionaram demonstra que o município e todos os seus apoiadores veem a educação escolar indígena como aspecto de grande importância, mas, especialmente, como um ponto sensível e que necessita de atenção e cuidados.




A CR Kayapó Sul do Pará participou do evento por meio de palestras sobre o papel da Instituição no que tange à educação escolar indígena, bem como sobre a relevância do currículo para a construção de uma educação intercultural e diferenciada, além do auxílio aos participantes indígenas quanto às atividades propostas pelo Fórum e algumas demandas logísticas. 

Professor indígena elaborando mapa da aldeia Kokokuedja
 
Grupo de dança do município de Ourilândia do Norte
O encerramento do Fórum também contou com momento de discussão de questões relevantes para os Mebengokré, além de apresentações  culturais e o convite do cacique M'ro-ô Kayapó, da aldeia Turedjam, para o Dia do Índio na aldeia, que ocorrerá de 18 a 21 de abril e marcará a comemoração da data e o aniversário da aldeia.

 Evidentemente que ainda há muito o que avançar, exatamente pela complexidade e desafios que a educação representa, principalmente no contexto indígena. Entrentanto, o Fórum deixará sementes que sem dúvida encontrarão um solo fértil para a cosntrução de uma educação escolar indígena de qualidade, diferenciada e intercultural, que contribua para o desenvolvimento social e a autonomia das comunidades Mebengokré/Kayapó, que tanto precisam avançar em seus processos educativos escolares para que o futuro de suas crianças traga melhorias e superação das dificuldades atuais.





sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Notícias importantes para os Mekrangnotire

Lideranças Mekrangnotire na reunião em Altamira

23 e 24.01 – Por causa do OFICIO PRM/ATM/GAB 2/Nº 0035/2013 de 16 de janeiro de 2013 do Ministério Público Federal em Altamira – Pará, os Kayapó Mekrãgnoti foram chamados para uma reunião na cidade de Altamira com Procuradores do Ministério Público Federal e representantes da diretoria da Eletrobrás para tratar juntamente com os Kayapó sobre o Protocolo de Intenções envolvendo a FUNAI e Eletrobrás. A FUNAI Brasília também se fez presente, assim como o Coordenador da CR Kayapó Sul do Pará, o chefe da CTL de Novo Progresso e ainda outros servidores da Coordenação Regional. 

O motivo desta reunião incidiu sobre vários descontentamentos por parte dos Mekrãgnoti acerca desse protocolo, uma vez que houve demoras, falhas de articulação por parte da Eletrobrás, diminuição de recursos prometidos e repartição de recursos mal sucedidos segundo as lideranças. Diversas reuniões foram realizadas e o desencadeamento das ações sempre postergadas, isso foi o principal motivo que levou os Mekrãgnoti a constantemente denunciar a Eletrobrás para o Ministério Público Federal. Vale ressaltar que os Mekrãgnoti sempre desconfiaram dos estudos da UHE Belo Monte (a FUNAI nunca apresentou esses estudos) e exigiram em Altamira a contemplação no PBA (Programa Básico Ambiental) principalmente por estar fornecendo uma contribuição positiva para esse mega empreendimento na conservação de recursos hídricos. Ao mesmo tempo, porém, acreditam que vão ser fortemente afetados: as terras Baú e Mekrangnotire sofrerão grandes impactos, desde pressão do desmatamento, diminuição dos peixes, mudança no clima, tudo em nome do desenvolvimento advindo de Belo Monte por causa do fornecimento de energia para a região. 

Reunião com lideranças e representantes das instituições
Quanto à resolução acerca do Protocolo de Intenções, ficou decidido que a Eletrobrás vai aportar 09 milhões, sendo 03 milhões/ano para os projetos de longo prazo (03 anos) que serão repartidos entre Kayapó do leste e oeste, isto é, aquém do que foi prometido e acordado na grande reunião envolvendo os Kayapó do Pará e Eletrobrás em dezembro de 2011 em Brasília, quando o montante prometido pela empresa era de 04 milhões por ano totalizando 16 milhões. Mesmo a Eletrobrás alegando que os projetos emergenciais consumiram 02 milhões de seu caixa, essa conta em relação à promessa inicial não fecha. A empresa alega que está passando por dificuldades financeiras, mas os Mekrãgnoti insistem: vão lutar na justiça para serem contemplados no PBA, que na realidade será o verdadeiro projeto de longo prazo.

31.01 – Representantes da empresa Norte Energia S/A (NESA) estiveram visitando Novo Progresso para realizar a entrega de duas obras para os Kayapó Mekrãgnoti sendo: 01 Casa de Apoio e 01 mini-indústria de processamento de castanha-do-Brasil. Trata-se de importantes conquistas que refletirão em todas as comunidades, já que a caso da Casa de Apoio possibilita que famílias inteiras, bem como aposentados, pensionistas e outros parentes que se deslocam para Novo Progresso para resolver problemas possuem agora um lugar espaçoso, bonito e moderno para se alojar. 

Inauguração da Casa de Apoio

A Casa de Apoio devolve a dignidade para os Kayapó que sempre abarrotaram as casas de seus parentes tentando se hospedar, ou mesmo a Casa de Saúde Indígena que sempre esteve lotada de visitantes, bem como, traz maior tranquilidade para os funcionários indígenas (parentes) que sempre receberam quantidades de pessoas acima de suas possibilidades para alojarem em suas casas, criando uma série de dificuldades para ambos. Tais obras foram frutos de propostas encaminhadas e aprovadas pelo PDRSX – Programa de Desenvolvimento Regional Sustentável do Xingu, do qual um representante Mekrãgnoti (Doto Takak-ire/Servidor da FUNAI) faz parte do CGDEX, que é o Comitê Gestor do programa. Essas obras estão sendo consideradas pelos Mekrãgnoti como uma primeira etapa, sendo que a segunda foi aprovada no final de 2012 pelo PDRSX, onde as obras serão concluídas com a construção dos muros, portões, calçadas, grades e anexos, tanto na Casa de Apoio quanto na Mini Indústria de castanha. 


Casa de Apoio

No geral, ambas refletem grandes possibilidades dos Mekrãgnoti conseguirem se estruturar por completo através do PDRSX, pois se refere a um programa governamental que gira em torno do processo Belo Monte e seu plano de vigência será de 20 anos. Assim sendo, os Mekrãgnoti estão tendo enormes oportunidades de anualmente investirem seus objetivos em ações permanentes com possibilidades de impactos sempre positivos para suas sobrevivências.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Em tempo: mudança de nome da CR


O Decreto nº 7.778, de 27 de Julho de 2012, trouxe a nova versão do Estatuto da FUNAI e com isso algumas mudanças administrativas na organização da Fundação e das Coordenações Regionais.
Uma das mais evidentes foi a mudança de nomenclatura de algumas Coordenações Regionais. Em nossa CR a mudança ocorreu: anteriormente chamada de Tucumã, em alusão à cidade que sedia a Coordenação, agora é identificada como Kayapó Sul do Pará, uma referência à etnia que atendemos e também à localização das comunidades, já que outra parte dos Kayapó (Metuktire) também vive no estado do Mato Grosso.
Desta forma, a identificação do blog da CR também foi alterada, de modo a unificar os termos e também atender às determinações do Decreto.



quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Feliz Ano Novo


2012 sem dúvida foi um ano de importantes realizações para a CR Kayapó Sul do Pará e também para o povo Kayapó.

Diversas ações foram executadas nas diferentes áreas de atuação da Coordenação (cultura, educação, etnodesenvolvimento, fiscalização e monitoramento e promoção social), bem como houve mudanças significativas na esfera institucional, a exemplo a reestruturação física da Coordenação, que agora ocupa um novo espaço. 

O novo ano já iniciou repleto de atividades e planejamentos, o que indica que muito mais vem por aí!

Que 2013 seja pleno de muitas realizações!

Que sejamos fortes como guerreiros, mas sem perder a esperança e a doçura de uma criança!







quarta-feira, 12 de setembro de 2012

I Feira Mebengokré de Sementes Tradicionais marca calendário Mebengokré

Espaço de troca de sementes na casa do guerreiro


Entre os dias 03 e 07 de setembro ocorreu a I Feira de Sementes Mebengokré, na aldeia Moikarakô, terra indígena Kayapó, no município de São Félix do Xingu.

Participaram da festa mais de 20 aldeias Mebengokré, os parentes Metuktire do Mato Grosso e outras 16 etnias, além de diversas instituições parceiras. O evento teve ainda a cobertura de uma renomada emissora de televisão e em breve será noticiado nacionalmente.


A Feira, organizada pela Associação Floresta Protegida, é uma demanda antiga da comunidade de Moikarakô, que tradicionalmente participa de diversos eventos de intercâmbio cultural pelo país e ansiava por receber parentes e amigos em sua casa.


Mytkatyry, ministrante da Oficina de Artesanato Tradicional 
Na programação de cinco dias houve solenidade de abertura e encerramento, mesas redondas relacionadas às temáticas de segurança alimentar e atividades produtivas, além de oficinas diversas, minicursos e apresentações culturais todas as tarde e noites. O espaço de troca de sementes, previsto diariamente na programação, permitiu a todos os participantes o intercâmbio de produtos diversos, além da comercialização.

A FUNAI foi a principal parceira da Feira, possibilitando o acesso a recursos por meio da Diretoria de Promoção ao Desenvolvimento Sustentável, das Coordenações de Etnodesenvolvimento e Gestão Ambiental e ainda do  Museu do Índio.

Além da contrapartida financeira, a Coordenação Regional Kayapó Sul do Pará viabilizou a logística de deslocamento dos participantes e ofereceu oficinas relacionadas à cultura Mebengokré e também à agroecologia, tema importante na temática. Paralelo a isso diversos encaminhamentos e providências foram tomadas a fim de contribuir com a realização e sucesso da Feira.

Oficina de Agroecologia
Além da equipe de servidores da CR Kayapó Sul do Pará, participaram do evento servidores das Coordenações de Altamira, Amapá e Norte do Pará, Araguaia Tocantins, Baixo Tocantins, Centro-leste do Pará, que acompanhavam os indígenas de suas jurisdições. Representando a FUNAI sede nas mesas redondas vieram os servidores Daniel Piza - CGGAM e Tatiana Vilaça - CGMT.

A comunidade de Moikarakô se preparou nos últimos meses para receber a todos, fazendo da Feira um sucesso de organização e acolhimento. A celebração do encontro e reencontro entre os parentes e a interação de todos os participantes sem dúvida foram o diferencial desta que promete ser a primeira de muitas outras Feiras.

No penúltimo dia do evento também foi comemorado o 19º aniversário da aldeia Moikarakô, uma data que se tornou especial para todos os presentes.

Oficina de pintura Mebengokré

A Feira proporcionou uma troca única de experiências, a partilha de saberes e a felicidade de celebrar, elementos que já deixam saudades em todos que estiveram em Moikarakô durante a semana.


Caciques e crianças na comemoração do 19º aniversário da aldeia Moikarakô

terça-feira, 21 de agosto de 2012

I Feira Mebengokré de Sementes Tradicionais

Está chegando!



A I Feira Mebengokré de Sementes Tradicionais acontece do dia 03 a 07 de setembro e reunirá mais de 20 aldeias Mebengokré, além de outras etnias convidadas e diversas instituições.

Maiores informações acessem o blog da Feira


Ou pelo Facebook


Castanha.
Foto: Adriano Jerozolimski - Facebook Feira de Sementes

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

09 de agosto - Dia Internacional dos Povos Indígenas


Hoje, 09 de agosto, é comemorado o Dia Internacional dos Povos Indígenas. A Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu a data em 1995, a partir de encontros realizados em sua sede, onde diversos grupos indígenas reivindicavam a garantia de seus direitos.
A partir destas mobilizações foi criada a Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas, aprovada na 107ª sessão Plenária de 13 de setembro de 2007, que orienta diversas leis e políticas na área indigenista e assegura o direito dos povos indígenas em diversos países.
Muitas instituições e populações indígenas comemoram a data como um marco na luta pela garantia e reconhecimento de seus direitos. Este ano, a data está sendo marcada por uma série de manifestações e atos públicos contra as recentes ameaças à causa indígena, em especial a publicação da Portaria 303, em 16 de julho de 2012, pela Advocacia Geral da União (AGU).

No contexto da FUNAI, inúmeras ações em todo Brasil ocorrerão no dia de hoje, de modo a reforçar o estado de greve dos servidores do órgão e denunciar à sociedade as inúmeras dificuldades do órgão indigenista do país. Como culminância das ações, está prevista a entrega de uma denúncia ao Ministério Público Federal quanto ao precário estado em que se encontra a FUNAI.

O Dia Internacional dos Povos Indígenas surgiu de um movimento de luta destas populações e, enquanto houver ameaças e desafios às comunidades, o dia 09 de agosto sempre será uma data de mobilizações e reivindicações em nome de um futuro melhor para as novas gerações indígenas.


quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Servidor da CR Tucumã participa do Curso Dimensões das Culturas Indígenas do Museu do Índio

A CR Tucumã possibilitou a participação de um representante do curso Dimensões das Culturas Indígenas, realizado anualmente pelo Museu do Índio, no Rio de Janeiro.
O curso este ano voltou-se para as temáticas Patrimônio, Arte e Meio Ambiente e contou com uma programação diversificada e com palestrantes renomados dentro do indigenismo brasileiro. 

Jean-Jacques Armand Vidal

Também participaram da programação indígenas de diferentes etnias, que contribuíram com as discussões através da exposição de suas culturas.
O público, em geral, é formado por acadêmicos e profissionais ligados ou interessados na causa indígena. 
Todas as discussões foram enriquecedoras e contribuíram, sem dúvida, para uma reflexão crítica quanto à questão indígena no Brasil.

Mesa redonda com representantes indígenas
Programação:


1º Dia -  Demografia dos Povos Indígenas no Brasil - Marta Azevedo (UNICAMP/FUNAI)
2º Dia –  Cinema Etnográfico e Povos Indígenas – Patrícia Monte-Mor (UERJ) 
3º Dia –  Patrimônio Cultural Indígena – Luís Donisete Grupioni (IEPÉ) 
4º Dia –  História e Cultura Material Nambiquara – Anna Maria Ribeiro Fernandes da Costa (IHGMT/Ikuiapá) 
5º Dia –  Mesa Redonda com Cineastas Indígenas 
6º Dia – Povos Indígenas e Comunidades Quilombolas - Aproximações e Sobreposições Políticas e Etnológicas - José Maurício Arruti (UNICAMP) 
7º Dia –  Cultura Material Karajá: Chang Whan (PRODOCLIN/Museu Do Índio) 
8º Dia –  A Cerâmica do Povo Paiter Suruí de Rondônia: Jean-Jacques Armand Vidal (Artista Plástico) 
9º Dia - Políticas Ambientais e Povos Indígenas: do Brasil Escravista ao Século Xxi – José Augusto Pádua (UFRJ)
10º Dia - Mesa redonda - Povos Indígenas e Patrimônio Cultural

terça-feira, 31 de julho de 2012

Funai Tucumã - PA apreende equipamentos de garimpo ilegal



A equipe do Serviço de Gestão Ambiental e Territorial da Coordenação Regional da Funai em Tucumã (SEGAT/CR/TCA), no Pará, realizou a apreensão de diversos equipamentos utilizados em atividades garimpeiras ilegais, na Terra Indígena Kayapó. O objetivo inicial do grupo apreendido era deslocar-se até a localidade denominada garimpo Santilli, no interior da TI Kayapó.

A ação aconteceu no dia 21 de junho, no rio Fresco, e apreendeu uma balsa carregada com escavadeira hidráulica, trator com carreta, sete motores com bombas de sucção acopladas, 15 mil litros de óleo diesel, barco de alumínio com motor de popa, gêneros alimentícios e materiais diversos utilizados no garimpo ilegal de ouro.

Operação

A equipe do SEGAT/CR/TCA começou uma ação de investigação, durante as primeiras semanas do mês de junho, sobre a logística utilizada na realização da atividade ilegal de garimpo no interior de terras indígenas da região. O grupo monitorou a mobilização, no município de São Félix do Xingu (PA), de garimpeiros que pretendiam invadir a TI Kayapó com o objetivo de desenvolver a atividade clandestina nas proximidades da Aldeia Gorotire.

Na tarde do dia 21 de junho, a equipe foi informada de que a balsa carregando equipamentos havia adentrado a TI Kayapó deslocando-se do rio Xingu em direção ao rio Fresco, que corta o interior da terra. A equipe do SEGAT/CR/TCA realizou um sobrevoo na área a fim de averiguar se a balsa estava realmente no interior da terra indígena, o que foi confirmado. A aeronave pousou na aldeia Kikretum, localizada às margens do rio Fresco, e a equipe se deslocou de voadeira para realizar a abordagem.

A balsa foi abordada nas proximidades da corredeira do Limão, no rio Fresco, sendo constatada a presença de nove não indígenas que confirmaram a intenção de seguir para o garimpo Santilli. Eles pretendiam garimpar por seis meses. Também estavam presentes dois índios da aldeia Gorotire que, segundo os relatos, foram contratados para acompanhar o transporte dos maquinários em troca de mil reais, quantia que, de acordo com eles, seria repartida entre os membros da família.

As pessoas e os materiais apreendidos foram conduzidos até a cidade de São Félix do Xingu (PA) e apresentados a um delegado da Polícia Federal, que realizou as oitivas dos que estavam na balsa, inclusive os indígenas, para a abertura de inquérito policial. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Saneamento (Semas) de São Félix do Xingu realizou o termo de apreensão de todos os equipamentos, maquinários e combustível, que ficaram sob a responsabilidade da Prefeitura Municipal. Como se trata de crime ambiental, a equipe do SEGAT/CR/TCA solicitou ao delegado que preside o inquérito, o perdimento de todos os bens apreendidos em favor da Prefeitura de São Felix do Xingu.

Ações integradas

Para que ações de fiscalização em terras indígenas e em áreas do entorno sejam efetivas é necessário o estabelecimento de parcerias locais. Desta forma, a Coordenação Regional da Funai em Tucumã tem buscado ampliar as relações com parceiros, colaboradores e protetores do meio ambiente, visando proteger as terras indígenas.

Além da fiscalização realizada no interior das terras, entende-se que o entorno delas devem ser consideradas como áreas de amortecimento e tratadas de maneira diferenciada, já que estes são os locais onde geralmente ocorre todo o suporte logístico das atividades ilegais e onde as informações de ilícitos são coletadas.

Nesse sentido, a Coordenação Regional de Tucumã, através do SEGAT, tem investido em acordos de cooperação institucional visando a integração dos esforços de fiscalização. As ações contam assim com a parceria de órgãos federais como Ibama e Polícia Federal, serviços de fiscalização estadual como Policia Militar e Batalhão Ambiental e também municipal através das secretarias de Meio Ambiente.

O objetivo é não apenas fiscalizar e monitorar ilícitos, mas também incentivar novas estratégias de prevenção dos mesmos através de ações de conscientização, além da realização de projetos de recuperação de áreas degradadas e apoio à realização de atividades produtivas. Espera-se, como resultado final, atingir uma gestão integrada do território indígena, procurando contribuir com a execução da PNGATI (Política Nacional de Gestão Ambiental e Territorial Indígena) nos municípios onde se encontram as terras indígenas sob jurisdição da CR de Tucumã.

Extraído do site http://www.funai.gov.br/

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Funai e IBAMA desativam serrarias e garimpos na Ti Kayapó


A Fundação Nacional do Índio (Funai) iniciou, no último dia 14, a Operação Floresta Livre, em conjunto com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). O objetivo é combater o funcionamento ilegal de serrarias e garimpos na Terra Indígena Kayapó, entre os municípios de Tucumã e Cumaru do Norte, no sudeste do Pará.  A operação é uma continuidade de ações deflagradas em 2010 e 2011, que identificaram o funcionamento de seis serrarias clandestinas mantidas com madeira oriunda da TI Kayapó e originaram as operações Ocara e Bateia.
Com o apoio da polícia militar do Pará, a Operação Floresta Livre identificou quatro serrarias ativas no município de Cumaru. Uma delas é legalizada e está em condições regulares de funcionamento, outra está em vias de legalização, mas foi embargada pelo IBAMA por estar atuando antes de obter licença e duas são clandestinas e foram desativadas. 
As serrarias tiveram seus maquinários apreendidos pelo IBAMA, ficando estes à disposição da justiça como peças para abertura de inquérito pela Polícia Federal. Também foram apreendidos cinco caminhões de madeira, totalizando cerca de 80m³. A carga será destinada à prefeitura de São Felix do Xingu/ PA para a construção e reforma de escolas no interior da Terra Indígena Kayapó.
A primeira investida contra a exploração de madeira na TI Kayapó ocorreu em novembro de 2010, durante a operação Ocara. A operação desmontou e embargou cinco serrarias em Cumaru do Norte e duas em Bannach. Em maio de 2011, no entanto, foi constatado que três delas haviam voltado a operar ilegalmente e uma nova serraria havia se instalado recentemente no entorno da área protegida. 
A estratégia é manter uma ação continuada nessas localidades a fim de desarticular o desmatamento ilegal, que acaba funcionando como porta de entrada de madeireiros e vem causando estragos ao patrimônio florestal dos Kayapó.
Garimpo na TI Kayapó
Outra investida da operação foi contra um garimpo, na mesma terra indígena. A Operação verificou grande quantidade de baixões nas imediações da cidade de Cumaru do Norte e desativou 19 motores de garimpo que causaram grande degradação ambiental. Em um ponto específico da TI Kayapó, foram detectadas, por meio de sobrevôo de helicóptero, cerca de 50 pares de máquinas de garimpo, 12 balsas de grande porte e 250 pessoas na atividade ilegal.
No garimpo Santilli, localizado no interior da TI Kayapó, existe, segundo os garimpeiros que saíram da área, um grupo armado composto por 12 pistoleiros, que estariam fazendo a segurança do garimpo e das balsas existentes na localidade. 
À ação dos garimpeiros estão associados a casos de malária, provenientes da região do garimpo, além de doenças como esclerose, demência e dificuldades de orientação na população idosa das aldeias da região, devido danos causados ao sistema nervoso por contaminação com mercúrio. Na população mais jovem já foram detectados casos de difteria em razão consumo de água contaminada pela atividade de garimpo.
Existem inquéritos na Polícia Federal do município de Redenção/PA apurando esses casos na TI Kayapó e entorno. Há, ainda, um processo investigativo em curso, que tem o objetivo de investigar os responsáveis pela cadeia econômica dessas atividades ilegais e que pretende juntar elementos para um processo criminal. A Operação Floresta Livre não tem data para encerrar.



Extraído do site http://www.funai.gov.br/