terça-feira, 17 de abril de 2012

Aldeia Turedjam recebe visita de alunos do ensino médio

No dia 17 de abril os alunos de quatro turmas da escola Pitágoras, de Ourilândia do Norte, visitaram a aldeia Turedjam a fim de conhecer e vivenciar a cultura Mebengokré∕Kayapó.
Acompanhados pelos professores de Artes, Biologia, Literatura e Sociologia, os discentes entrevistaram os moradores da aldeia a fim de aprender sobre suas especificidades socioculturais, especialmente quanto aos hábitos e valores da etnia. Também houve uma caminhada pela mata para que os alunos pudessem identificar as características da floresta amazônica, de modo a relacionar os conhecimentos adquiridos em sala de aula com a realidade da mata.


Além das atividades acadêmicas, os visitantes foram recepcionados cerimonialmente pelos habitantes e crianças da aldeia, interagiram com os jovens jogando futebol e vôlei e ainda dançaram junto com a comunidade.

Esta é a segunda visita de alunos à aldeia e, assim como a primeira atividade, ocorrida no mês de novembro do ano anterior, sem dúvida a esperiência foi única e especial, principalmente para os alunos e professores, que tiveram o privilégio de aprender e compreender mais a cultura Mebengokré∕kayapó.

 Para a comunidade também é um momento de muita alegria, pois todos se sentem valorizados e prestigiados, além da oportunidade de partilharem sua cultura e modo de ser.
A CR Tucumã faz questão de intermediar tais oportunidades, uma vez que acredita que é a partir do acesso ao conhecimento e à vivência que preconceitos e impressões errôneas podem ser dirimidas, especialmente no contexto da região, onde a população muitas vezes apresenta resistência à cultura indígena.

 Como resultado dos saberes apreendidos, os alunos realizarão exposição de trabalhos artísticos inspirados na cultura indígena, além de realizarem seminários para partilha das informações, de modo que um universo muito mais amplo de pessoas conhecerão e se encantarão com a aldeia Turedjam e a etnia Mebengokré∕Kayapó.
 
 Qualquer instituição de ensino pode propor uma atividade similar. É preciso contatar a CR Tucumã para que esta analise o projeto a ser realizado, bem como possam consultar as comunidades a serem visitadas, visto que sua anuência é primordial para qualquer realização.



terça-feira, 27 de março de 2012

I Conferência Estadual de Assistência Técnica e Extensão do Estado do Pará


A CR Tucumã participou na última semana da I Conferência Estadual de ATER do Estado do Pará, que ocorreu nos dias 13 e 14 de março, no hotel Gold Mar, na cidade de Belém. Representando a CR Tucumã estiveram presentes os servidores Ramon de Paula Neves, delegado escolhido na conferência territorial, e Luciano Leal Almeida, convidado, bem como o indígena Bep-Irax Kaiapó, escolhido também como delegado da sociedade civil na conferência territorial. Também participaram do evento servidores da FUNAI de outras CTL’s da região, como Rainericy da Silva Quintino (CTL de Jacareacanga), Julia Duarte (CTL de Tomé Açu) e Ananda Jesus (CTL de Paragominas).
A Conferência, de tema: “ATER para a agricultura Familiar e Reforma Agrária e o Desenvolvimento Sustentável do Brasil Rural”, contou com a participação de delegados eleitos e convidados da sociedade civil, governos municipais, estadual e federal, representantes dos 11 Territórios e Pré-Territórios da Cidadania (Baixo Amazonas, Baixo Tocantins, Nordeste Paraense, Sudeste Paraense, Sul do Pará/Alto Xingu, Transamazônica, BR – 163, Marajó, Entorno de Tucuruí, Salgado e Metropolitana), que realizaram anteriormente suas respectivas conferências territoriais.
A Conferência se iniciou na manhã do dia 13/03 com uma mesa de abertura composta de diferentes segmentos sociais e governamentais que resaltaram a importância do evento para o futuro da ATER no Estado e no país, bem como a importância da eleição de delegados que defendam as especificidades (alto custo para ações de ATER devido às grandes distâncias e as dificuldades de transporte deslocamento) e a diversidade de categorias sociais do campo (agricultores familiares, assentados, indígenas, ribeirinhos, pescadores e pescadoras artesanais, extrativistas, entre outros) existentes no Pará durante conferência nacional de ATER, que irá se realizar nos dias 23 a 26 de abril em Brasília. Após a mesa inicial ocorreu a conferência de abertura proferida por Reginaldo Lima – Diretor do DATER/SAF/MDA, onde foi enfatizado a criação da Lei 12.188/2010 e a realização da I Conferência Nacional como expressão da consolidação da Política Nacional de ATER (PNATER), e também a importância de se discutir nessa conferência estadual um modelo de ATER que atenda às especificidades do meio rural paraense.
Em seguida, iniciaram-se os Grupos de Trabalho (GT) que foram divididos em cinco eixos temáticos: “ATER para o Desenvolvimento Rural sustentável”; “ATER para a Diversidade da Agricultura Familiar e a Redução das Desigualdades”; “Ater para as Políticas Públicas”; “Gestão, Financiamento, Demanda e Oferta dos Serviços de ATER” e “Metodologia de Ater – Abordagem de Extensão Rural”.
Na Plenária Final, que ocorreu na tarde do dia 15/03, foram eleitos 27 delegados para a Conferência Nacional, sendo 18 da sociedade civil (representação de agricultores (as) familiares, assentados (as) da reforma agrária e representações das entidades não governamentais executoras de serviços de Ater) e 09 de representantes governamentais de serviços de ATER e de órgãos públicos dos poderes executivo, legislativo e judiciário das esferas estadual e municipal. No contexto da sociedade civil o indígena Kayapó Rafael Maniary Munducuru, da aldeia Karapanatuba, município de Novo Progresso, foi eleito como delegado e o indígena Bep-Irax Kaiapó, da aldeia Turedjan, município de Ourilândia do Norte, como suplente. No momento também foram discutidas e aprovadas as propostas elencadas pelos cinco GT’s.
Por fim, foi debatida a minuta de projeto que institui a Política Estadual de Assistência Técnica e Extensão Rural (PEATER), o Programa de Assistência Técnica e Extensão Rural na Agricultura Familiar (PROGATER) e cria o Fundo Estadual de Assistência Técnica e Extensão Rural (FEATER), que se pautou em diversos aspectos da política de Ater já explorada dentro dos GTs e com enfoque na questão estadual.
Mais uma vez foram pautas questões relativas ao desenvolvimento rural sustentável, o etnodesenvolvimento e à agroecologia, bem como uma maior atenção das ações de Ater para os povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos e outras populações e comunidades tradicionais do campo. Foi discutido também que para a comprovação da qualidade de beneficiário da PEATER, deverá ser apresentada a Declaração de Aptidão ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar – DAP, porém, como os indígenas estão tendo dificuldades na aquisição desse documento, foi aceito como documento equivalente o Registro de Nascimento Indígena – RANI. É necessário ressaltar que esse projeto de lei ainda passará pela avaliação da Assembleia Legislativa Estadual para entrar em vigor.
O evento foi muito produtivo para todos os participantes, em especial para esta CR, que conseguiu eleger seu representante indígena como suplente para a Conferência Nacional. Sem dúvida as discussões e informações resultantes da Conferência Estadual contribuirão significativamente para o desenvolvimento das atividades de etnodesenvolvimento da CR Tucumã.

Equipe da CR Tucumã e servidores das CTL's na Conferência

terça-feira, 13 de março de 2012

CTL Novo Progresso é contemplada nas ações da CR


A Coordenação Regional de Tucumã continua em pleno processo de crescimento e reestruturação, especialmente quanto às suas novas áreas de abrangência.

A partir da solicitação dos Kayapó das terras indígenas de Mekragnoti e Baú do lado oeste do estado do Pará, a CR Tucumã passou também a realizar o atendimento às comunidades de Baú, Kubenkokre, Pukany, Kawatun e Pyngraiti, agregando a CTL de Novo Progresso, conforme a Portaria nº 1182/PRES, de 08 de agosto de 2011.



Este sem dúvida foi um marco para a FUNAI e também para as comunidades. A partir de então a CR Tucumã responde pelo atendimento das terras indígenas Badjunkore, Baú, Kayapó, Mekrangoti e também por uma das comunidades da T.I Las Casas, que recebe este mesmo nome (este último processo ainda está em trâmite).

Foi uma mudança determinante para a administração da CR Tucumã que, mesmo com uma quantidade de comunidades e T.I’s já significativas, assumiu o desafio de atender também às comunidades do oeste.

Em 2011 o Coordenador Odenildo esteve em Novo Progresso para conhecer a nova CTL e seus servidores, bem como para dialogar sobre a realidade das comunidades.
Em 2012 novas ações já ocorrem. No período de 26/02 a 05/03 uma equipe de servidores da CR, bem como o próprio Coordenador Regional, estiveram em Novo Progresso a fim de realizar pregões presenciais para aquisição de itens essenciais às comunidades.


Pregão presencial realizado na sede da CTL  


Além disso houve a visita de um servidor do setor de Promoção Social para coletar informações e orientar quanto às demandas da CTL, além de tantos outros temas importantes que foram discutidos na oportunidade, como educação, proteção territorial, finanças e licitações, etc.
O Coordenador Regional aproveitou a oportunidade também para visitar o castanhal da T.I. Mekragnoti, acompanhando o cotidiano das famílias nessa importante atividade que é a coleta da castanha, bem como para averiguar os trabalhos de abertura do ramal de acesso as aldeias Kubenkokre e Pukany, previsto no PBA BR 163, com a execução por conta do DNIT.



Visita do presidente Márcio Meira à CTL em 2011 


No retorno da equipe, o Coordenador Técnico Local, senhor Edson Carlos Ramalho, se deslocou até Tucumã, onde permanecerá durante toda esta semana, para conhecer a estrutura da CR de perto, seus setores e servidores, no sentido de aproximar as coordenações e estabelecer uma relação mais estreita com a Coordenação Regional, bem como encaminhar questões pertinentes à CTL e ajudar na preparação de editais de licitação para atender as demandas da Coordenação Regional e Técnica Local.


Guerreiros Mekragnoti em comemoração à visita do Presidente Meira


A CTL de Novo Progresso realiza o atendimento às comunidades das aldeias acima citadas com muita competência e dedicação e, sem dúvida, este será um ano de grandes avanços e parcerias com a CR no sentido de garantir a continuidade das ações com o trabalho de qualidade que já executam.


A equipe da CTL é composta pelos servidores Edson Carlos Ramalho, Luis Carlos da Silva Sampaio, Doto Tajaj-ire, Imar Kayapó e pelos colaboradores terceirizados Anderson Pereira, Josiane Batista dos Reis e Luzinete Alves dos Santos.

quinta-feira, 8 de março de 2012

 08 de março

“Na fogueira daquela fábrica onde ardem as meninas.
Nas fogueiras destas fábricas onde ardem, ainda, as herdeiras desta sina.

Na fogueira onde queimaram nossos sonhos, tuas cinzas.
Nas fogueiras queimam ainda, como antes bruxarias.

Na fogueira preconceitos invisíveis queimam ainda.
Nas fogueiras as meninas pernas nuas pelas ruas.

No fogo em teu rosto feito brasa e hematoma.
Na fogueira do teu sexo que vestes quando nua.

Das fogueiras onde queima tanta fúria assassina.
Deste fogo, prometemos, libertaremos os teus sonhos nossas filhas.
Este fogo não se esquece: nos aquece, anima.”



 
Às guerreiras Mebengokré e a todas as guerreiras da FUNAI, desejamos que o fogo da luta para uma nação mais igualitária, mais pacífica e mais humana nunca se apague!
Que possamos, a exemplo das mulheres da mata, nunca desanimar ao trabalho e sempre com encanto nos olhos de quem descobre um novo amanhecer, continuar com a leveza e alegria de sermos mulheres!!!


Feliz Dia das Mulheres!!!

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012


Agricultura Kayapó/Mebengokré
Experiência na Terra Indígena Badjônkôre – Aldeia Kranh-ãmpare
Ramon de Paula Neves – Indigenista Especializado

1 – Introdução
A idéia deste texto é descrever  e apresentar os elementos que caracterizam o modo de produção agrícola Kayapó/Mebengokré, como a cultura e a produção agrícola influenciam no dia a dia dos diversos sujeitos das comunidades, ademais de apresentar as experiências produtivas da aldeia Kranh-ãmpare na TI Badjônkôre.
Os Kayapó vivem em aldeias dispersas ao longo do curso dos afluentes do caudaloso rio Xingu, desenhando no Brasil Central um território do tamanho da Austria recoberto pela florestal equatorial, com exceção de algumas porções preenchidas por áreas de cerrado. O termo Kayapó foi usado por grupos vizinhos para denominá-los e significa “aqueles que se assemelham aos macacos”. Mesmo sabendo que são assim chamados pelos outros, os Kayapó se referem a si próprios como Mebengokré, “os homens do buraco/ lugar d’água” (POSEY, 1979).
Os povos indígenas da etnia Kayapó possuem um histórico impressionante de proteção de suas terras tradicionais contra a invasão e o desmatamento. Eles detêm um território que se estende por quase 11 milhões de hectares no sudeste da Amazônia e constituem o maior trecho contínuo de floresta tropical protegida do mundo. Hoje as terras indígenas são, praticamente, a única barreira contra a onda de desmatamento e incêndios que devastam o sudeste da Amazônia, onde a floresta dá lugar à agricultura. Este efeito barreira ocorre porque os povos indígenas, que dependem da floresta para sobrevivência, lutam ativamente pelos direitos sobre suas terras e expansão de fronteiras. Os territórios dos índios Kayapó nos estados do Pará e Mato Grosso são um exemplo impressionante da barreira contra o desmatamento e representam uma oportunidade extraordinária para a conservação numa ampla escala de paisagem. Tendo conseguido a demarcação da maior parte de suas terras, os Kayapó do século 21 têm que defender 2 mil km de divisa contra a usurpação e a invasão por fazendeiros, madeireiros, exploradores de ouro e posseiros.
A TI Badjônkôre  surgiu da não contemplação de um subgrupo quando da demarcação da TI Kayapó, mais especificamente, daquelas provenientes do grupo Kubenkrankêng, para regularização das porções de terras tradicionalmente por eles ocupadas e que estava fora dos limites da TI Kayapó.
Ocorre que os índios da referida terra indígena jamais aceitaram, com tranqüilidade e satisfação, os limites definidos, alegando não terem participado efetivamente do procedimento de demarcação acima referido, realizada em 1985, pelo convênio entre a FUNAI e a Divisão de Serviços Gerais do Exército Brasileiro, época que tiveram início os conflitos fundiários entre os índios e os segmentos regionais. Com isso nos fins dos anos 90 a TI Badjônkôre foi demarcada com mais de 200mil hectares entre os municípios de São Felix do Xingu e Cumaru do Norte.

2 – Elementos culturais
2.1 - Cosmologia
Há um mundo celeste do qual provém a humanidade. Os primeiros seres humanos que chegaram à Terra vieram de lá por uma longa corda, como formigas por um tronco. Isto foi possível porque um homem viu um tatu e o seguiu até que entrou num buraco, que depois foi usado pelas pessoas para vir a este mundo. Também as plantas celestes baixaram do mundo celestial quando a filha da chuva brigou com a mãe, desceu a este mundo e foi acolhida por um homem, a quem entregou as plantas.
Muitos relatos explicam os fatos culturais, desde a obtenção do fogo até a casa da onça-pintada. As danças são levadas muito a sério, pois explicam a relação com a natureza, a sociedade e a história. Não usam bebidas fermentadas nem plantas alucinógenas.

2.2 – Agricultura Kayapó
Sua principal atividade econômica é a agricultura itinerante praticada por homens, mulheres e meninos. Através do método de desbravar e queimar (queimada), cada par limpa um local na floresta de cerca de cinquenta por trinta metros onde estabelecem seu puru, uma horta na qual semeiam batata, cará, mandioca, algodão, milho e, ao lado das árvores, plantam cupá, uma videira com gavinhas comestíveis. Alguns grupos introduziram em suas hortas arroz, feijão, mamão e tabaco.
Recolhem mel e frutos de palmeiras silvestres como o babaçu. A castanha-do-pará, que anteriormente era recolhida pelas mulheres para seu autoconsumo, hoje é recolhida pelos homens e vendida a compradores estatais ou privados.
São bons caçadores, mas, atualmente, a caça não é abundante. Os homens tecem cestos, cintos e faixas para carregar e fabricam paus, lanças, arcos e flechas para a caça. As mulheres fabricam pulseiras, fitas e cordas
São especialmente as mulheres que produzem a quantidade necessária de alimentos calóricos. As roças, cultivadas em um raio médio de quatro a seis quilômetros da aldeia, são geridas por elas.
Os Kayapó são exigentes na escolha de terras potencialmente férteis: o lugar ideal é uma porção de floresta com uma vegetação não muito densa, não longe de um rio e situada no pé de colinas. Os Kayapó fazem uma distinção entre diferentes tipos de terrenos e de florestas. A escolha de um lugar conveniente para o estabelecimento de uma nova aldeia ou de uma nova roça não se faz de modo precipitado. Especialistas examinam cuidadosamente a terra, sua cor e sua composição. A vegetação existente é igualmente tomada em consideração.
Os homens têm a dura tarefa de cortar as árvores para a abertura das roças. As árvores são derrubadas no início da estação seca (maio) e permanecem lá alguns meses, até a proximidade da estação chuvosa. A natureza do solo constitui um grande problema na floresta equatorial, pois este é extremamente pobre em minerais. É por isso que perto do mês de outubro, os Kayapó queimam as árvores, cuja madeira teve tempo o suficiente para secar. Os minerais nelas concentrados permanecem nas cinzas, formando uma camada, que se presta de adubo. Depois da queima, as mulheres dão início à semeadura. Muitas variedades de plantas são semeadas em círculos concêntricos. Essa cultura mista apresenta um certo número de vantagens; por exemplo, as plantas de folhas grandes protegem o solo de chuvas torrenciais e do ressecamento, assim como outras plantas altas protegem do sol causticante. Algumas plantações estão igualmente relacionadas com o combate contra os insetos. Na periferia da roça, são comumente semeadas plantas medicinais. Muitas dessas plantas produzem um néctar que atrai uma certa espécie de formigas agressivas, inimigas naturais de insetos fitofágicos. Por mais que pareça desordenada, a roça kayapó está organizada segundo uma lógica extremamente estruturada.
As mulheres vão todos os dias às roças para recolher legumes. A vida de uma mulher kayapó é um tanto monótona. Mas algumas vezes por ano, geralmente durante a estação seca, pequenos grupos de mulheres vão à floresta para juntar frutas selvagens e óleo de palmeira. As excursões mais curtas duram dois dias, as mais longas, uma semana. As mulheres nunca se separam de fato da aldeia, permanecendo em um raio de cerca de 30 km ao redor dali, território com o qual são mais familiarizadas e que é constantemente atravessado por caçadores.
O antropólogo Darrel Posey, estudando os Kayapó, mostrou a preocupação desse povo com a preservação da natureza, utilizando, para isso, não só um planejamento rigoroso nas suas práticas agrícolas, como também técnicas naturais altamente desenvolvidas, se comparadas à dependência da sociedade envolvente aos defensivos químicos.
Os Kayapó, por exemplo, acreditam que existe um equilíbrio entre os espíritos dos animais, dos homens e das plantas. Se os homens abusarem dos recursos da floresta, a harmonia será destruída e chegarão doenças para toda a tribo. Para eles, nenhum aspecto da vida tribal é mais importante que o equilíbrio ecológico. [...]as roças possuem sempre cobertura vegetal, o que impede a erosão do solo e a insolação excessiva. Dentro das roças é grande a variedade de plantas e sua distribuição evita o aparecimento de insetos e outras pragas. Outros conhecimento nativo sobre a agricultura é que o plantio se faz de maneira a aproveitar ao máximo o solo, de acordo com as plantas e as condições do terreno. Assim cada planta pode aproveitar melhor as propriedades que lhe servem. As faixas de florestas conservadas entre as roças servem ao mesmo tempo de "corredores naturais" prestando-se ao uso como refúgio por plantas e animais, facilitando a reconstituição da fauna e da flora. Isto denota planejamento e permite a conservação das reservas, proporcionando que haja produção com aproveitamento máximo dos recursos e sem dano ao meio. (Posey, 1984, p.45).



2.3 - Calendario ecológico
Os Kayapó iniciam o seu ano no ngô ngrà (vazante) com atividades agrícolas que se estendem por quase todo o calendário ecológico até a maturação do milho. Segue-se o período da colheita e, com a queda dos frutos silvestres, os animais são atraídos, propiciando a época de caça que coincide com o ngô TAM (cheia). Em seguida, há um pequeno período de maior atividade de lazer e conveniência familiar, ao fim do qual, com a queda do nível das águas do rio (vazante), intensifica-se a atividade de pesca. E, com a vazante, inicia-se um novo ano. (TURNER, 1991)
O início do ano é marcado pelo cerimonial bemp, que se estende durante quatro luas: do surgimento do bemp nhõ djà - largas faixas coloridas que partem o sol poente, até a ocorrência das primeiras chuvas. Ao final do cerimonial bemp, pode-se ver no meio do céu, antes do sol nascer, o ngrôt kryre, ou punhado de cinzas, formado pelo aglomerado de sete estrelas, as Plêiades, situadas na constelação de Touro.
Diferentes épocas do ano são acompanhadas da realização de metõro, cerimoniais de caráter sazonal e de grande importância na vivência e na identidade social do grupo. A divisão das tarefas segue o critério sexual, sem fugir à regra das demais comunidades Kayapó, cabendo à mulher carregar os fardos, a lenha e transportar os alimentos cultivados nos roçados para as casas.

3 – Descrição da Experiência da Aldeia Kranh-ãmpare

A aldeia Kranh-ãmpare desenvolve, principalmente, o cultivo do milho e das diversas espécies de batatas, além de lavouras de mandioca, banana, urucu, abóbora, melancia, cará, arroz e algodão, plantadas em grupos e dispostas bem ordenadas por quase dois quilômetros às margens de um pequeno curso d'água.
As práticas agrícolas são rudimentares, atividades que incluem trabalhos simples destituídos de técnica aparente. Os estudos desenvolvidos ultimamente nesse sentido têm demonstrado o contrário. Além da derrubada da vegetação, queimada e consequentemente o plantio, inúmeros outros cuidados são observados na agricultura indígena.
São inúmeros os exemplos de conhecimento ecológico das culturas indígenas que se pode apontar, uma vez que cada grupo indígena possui seus costumes, que de um modo ou de outro funcionam para preservar os recursos naturais.
O Benjadjwyr (Chefe, cacique) Pangrá apresentou as áreas de agriculturas próximas a aldeia. Ele estima a existência de cerca de 10 alqueires de área plantada por todas as famílias (25 famílias).
Dentre as principais dificuldades no manejo da agricultura, Pangrá coloca que os idosos tem muita dificuldade de realizar sua tarefa , uma vez que o trabalho é penoso e algumas roças distantes.
Com o contato, os indígenas aprenderam e passaram a depender de ferramentas para a agricultura, as principais utilizadas na comunidade são: facão, machado, moto-serra, enxada, cavadeiras, etc.
Visando diminuir a dependência da FUNAI, a comunidade possui sua própria maneira de armazenar as sementes. Espécies como milho, arroz, abóbora, melancia feijão de fava são armazenados nas casas de cada família em sacos de fibra e em um local arejado. Como a FUNAI não possui recursos suficientes e devido as dificuldades de acesso as comunidades, as sementes nunca chegam a tempo. No caso da aldeia kranh-ãmpare não existe nenhuma dependência de sementes e a comunidade se encontra em visível estado de segurança alimentar.
Possuem três (3) fornos para a fabricação de farinha e pretendem com o tempo processar cupuaçu, açaí e cacau para venderem nas feiras da região. Processam arroz manualmente, entretanto dizem que o trabalho é muito penoso para as mulheres (que são responsáveis por esse serviço) e a comunidade deseja adquirir uma batedeira de arroz para facilitar os trabalhos.
A aldeia kranh-ãmpare se encontra em uma região de transição de cerrado para a floresta, por isso aproveitam da possibilidade de coletar frutos e plantas destes dois tipos de biomas. Os indígenas costumam coletar açaí, pequi, castanha, óleo de copaíba, cupuaçu, babaçu, andiroba, diversas variedades de coquinhos,  além da envira para confecção de artesanatos, a exemplo de paneiros, cocares, palhas para a cobertura de suas casas, lenha para abastecer as fogueiras familiares, e privilegiam a coleta do mel e da cera de abelha.
As proteínas são consumidas através da caça, da pesca e da criação de animais. Na região se encontram animais como o porco do mato, anta, paca, jabuti, búfalo, cotia, macaco e tatu, todos devidamente consumidos pelas famílias. A pesca é um pouco mais dificultosa, pois o rio se encontra a 20km da comunidade e uma ou duas vezes por semana as famílias vão até o rio pescar trairão, pacu, piranha, piau, piabanha, pintado, etc.
A partir do contato com a sociedade envolvente, os Kayapó passaram a adquirir noções de pecuária e a dominar técnicas de manejo com o gado bovino. Com a introdução das atividades criatórias, novas demandas foram surgindo em decorrência do trato com os animais. Na Aldeia Kranh-ãmpare, há um índio-vaqueiro, que aprendeu as tarefas com outro vaqueiro (“não-índio”) contratado para essa finalidade. Este índio-vaqueiro conta com o auxílio de outros três índios-aprendizes de vaqueiro, que desejam dominar as técnicas de manejo para poder substituí-lo quando for necessário ou tratar do gado de outras aldeias, caso seja convocado pelas lideranças. A comunidade possui algumas cabeças de gado nelore e búfalos, além dos búfalos selvagens espalhados pela terra indígena que são caçados.
Mesmo com toda essa disponibilidade de alimentos possui dependência de alimentos e itens industrializados como pão, café, sal, açúcar, fumo, refrigerante, isqueiro, etc. No geral, os recursos monetários obtidos por meio de programas sociais (bolsa família, salário maternidade, aposentadoria, etc) é direcionado a compra destes produtos.



4 - Referencias

POSEY, Darrell A. Ethnoentomology of the Gorotire Kayapo of Central Brazil. s.l. : Univ. of Georgia, 1979. 177 p. (Dissertação de Mestrado)
---------- Os Kayapó e a natureza. Cência Hoje, Rio de Janeiro,v.2, n.12, p. 34-41, 1984.
---------- . Manejo da floresta secundária, capoeiras, campos e cerrados (Kayapó). In: RIBEIRO, Berta G., coord. Etnobiologia. Petrópolis : Vozes, 1986. p. 173-88. (Suma Etnológica Brasileira, 1).

TURNER, Terence S. Da cosmologia à história: resistência, adaptação e consciência social entre os Kayapó. Cadernos de Campo, São Paulo, v. 1, n. 1, p. 68-85, 1991.

Área de arroz já colhida


Mulheres na agricultura

Benjadjwyr Pangrá na área de mandioca

Menira a caminho da roça

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Mensagem de Natal

     A Idéia não é somente transmitir uma mensagem e sim promover uma celebração dentro de bases concretas que sempre foram costumes indígenas como a oralidade.
     Quando fechamos os olhos e viajamos ao longo do tempo podemos perceber a leve brisa que o vento das quatro direções da Terra sopra sobre o nosso Pantanal e nossos rostos.
     Percebemos então, a magia do Natal se aproximando como se nos levasse até aquele cenário numa terra bem distante, quando uma estrela toda especial, iluminou os olhos de uma criança que se abria numa simples manjedoura, simbolizando a pureza da vida numa noite feliz.
     Tradicionalmente o espírito da vida indígena é o mesmo do homem branco, que nos cerca com toda a sedução da modernidade e que nos levou a transcrever para as letras, nossa forma ancestral e diante dos diversos níveis de contato, conhecer, praticar e respeitar o cristianismo e a religião ocidental.
     Mas a chegada do mês de Dezembro também nos impõe as pressões do Natal. Somos levados a comprar, receber e dar presentes. É nessa hora que esquecemos o bem comum, a solidariedade e o repartir.
     Como Povos Indígenas de costumes e línguas diferentes, aprendemos a compreender tudo isso, mas não podemos aceitar que esses valores substituam a noção de vida para a própria vida que é a celebração. Nunca praticamos esse modelo de vida, ao contrário, sempre demonstramos nossa solidariedade com esse mundo que não conhecíamos onde povos, sociedades e pessoas muitas vezes não tinham sequer o direito de se alimentar, de dormir ou de trabalhar.
     O Natal de Jesus Cristo não nasceu para atender as demandas comerciais ou exclusivamente as religiões como o homem branco construiu. Para nós, o Natal veio para resgatar e praticar o amor ao próximo e ao Grande Criador, nosso Ituko-Óviti.
     A celebração da vida com o nascimento daquela criança, nos mostra ainda hoje que esse é um espírito que nunca falha, principalmente o compartilhar com aqueles que se tornaram invisíveis diante do consumo fácil. Lá estavam representados a fauna, os reis, os pobres e a natureza como fórmula de qualidade de vida e de solidariedade.
     Por outro lado não podemos esquecer-nos da nossa Mãe Terra, que tal qual uma onça ferida diante da constante agressão ambiental como as fazendas de monoculturas e a indústrias predadoras do meio ambiente, apresenta novas enfermidades e as mudanças climáticas como faturas a serem pagas pela humanidade.
     Talvez as mesas fartas dos jantares com as mais saborosas comidas e bebidas, ainda sejam símbolos de felicidades para alguns, mas jamais serão o verdadeiro espírito de Natal, que nós indígenas em nossas aldeias sempre vivenciamos quando sentimos o vento, o brilho das estrelas, o canto dos pássaros ou o olhar de nossas crianças. É o momento sagrado da celebração espiritual, da prece, do canto entre todos.
     É quando percebemos nossa fragilidade como ser humano e ao mesmo tempo de poder ser justo, solidário e amigo. Contemplando os céus, a realidade que nos leva a perceber que esses sonhos e essa magia só tem sentido quando asseguramos o direito à moradia, e no caso indígena, a nossa terra, a territorialidade e ao nosso hábitat como berço que sempre nos acolheu do nascimento a morte, sem jamais tomar de ninguém esse direito, que bem demonstra o Natal de Jesus Cristo.
     Na noite do Natal vamos com os mesmos olhos fechados, seja na Igreja, seja na casa, com a família ou com os amigos, celebrar a vida. A vida dos que passaram para o campo eterno e daqueles que ainda podem se olhar, olhos nos olhos.
     Mais que um presente, uma prece constante sobre nossos valores seja como indígenas, como negro, branco ou pantaneiro, enquanto o vento segue seu caminho, para que nós possamos com coragem, fraternidade e respeito mútuo, atingir o equilíbrio de sermos cada vez mais, gente e irmão!



Marcos Terena – Índio Pantaneiro do Mato Grosso do Sul e membro da Cátedra Indígena
Fotos: indígenas Mebengokré - Kayapó





segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Participação Mebengokré na 12ª Festa do Cacau do Estado do Pará

Ao longo do ano de 2011, muitos líderes indígenas apresentaram a demanda pelo cultivo do cacau, que é uma árvore frutífera com potencial agrícola para geração de renda e sustentabilidade ambiental, pois é uma espécie que necessita ser cultivada em sistema de consórcio para se estabelecer.
A região Sudeste do Pará representa um pólo de cultivo de cacauais muito promissor e para incentivar a prática aconteceu nos dias 24, 25 e 26 de novembro a 12ª Festa do Cacau do Estado do Pará, no município de Tucumã-PA, organizado pela CEPLAC – Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira.
Nesta ocasião, houve a participação de sete agricultores indígenas das aldeias Aúkre, Apeity, Ngomeity, Kikretum, Moikarakô e Turedjam, representando a comunidade Mebengokré – Kayapó.

A programação do evento foi dividida entre palestras e oficinas em que diversos temas foram abordados. Dentre eles, destaca-se “Dia de campo: Formação de Cacauais”, que ocorreu em propriedades de agricultores com certa experiência no cultivo. Foi uma oportunidade de troca de experiências entre os participantes e também de muito aprendizado.



As palestras foram ministradas por pesquisadores, professores e técnicos da CEPLAC. As organizações que estiveram presentes partilhando informações foram: IMAZON, UFPA, SAGRI / OCB e SEMA.
Sob os olhos atentos dos indígenas, os Sistemas Agroflorestais (SAFs) foram identificados pelos mesmos nas falas dos palestrantes que reforçaram a prática deste cultivo para agregar valor, garantir a diversidade e a rentabilidade na produção. Em tempos de compromisso ambiental, SAF é uma prática adequada, pois respeita a dinâmica da floresta, melhorando a renda dos agricultores, sem gastos excessivos em função do uso adequado do solo. Neste ponto, o cacau mais uma vez desponta como promessa de atividade para os indígenas do Pará.



Ao final do evento, foi solicitado aos participantes indígenas que preenchessem uma ficha de avaliação. Todos consideraram importantes as informações recebidas e desejam participar de outros encontros como estes.
As atividades foram acompanhadas pelos técnicos da FUNAI que acreditam ser uma oportunidade para o início de um trabalho que pode contribuir na promoção da autonomia econômica para os povos indígenas Mebengokré – Kayapó.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

TEE Pykakwatynhre realiza primeira reunião após pactuação


        Nos dias 24 e 25 de novembro, o município de São Félix do Xingu sediou a primeira reunião da Comissão Gestora do Território Etnoeducacional Pykakwatynhre, após a pactuação no mês de outubro de 2010.
            Lideranças de todas as aldeias das terras indígenas Badjunkore, Baú, Kayapó, Las Casas, Menkragnotire e  Xinkrin (Cateté, Djujdekô e Ô’odja), representantes dos municípios de Bannach, Cumaru do Norte, Guarantã do Norte, Parauapebas, Pau D’Arco, Santana do Araguaia e os anfitriões de São Félix do Xingu e ainda representantes do MEC e da FUNAI (CR e Brasília), da Associação Floresta Protegida e do Conselho Indigenista Missionário – CIMI.


            A reunião debateu o regimento do território, alterou dados quanto às aldeias contempladas, discutiu a composição das comissões gestoras e de articulação, atualizou o plano de trabalho do território para o próximo ano e ainda realizou encaminhamentos gerais.
            A Secretaria Executiva de Educação e Cultura de São Félix do Xingu deu suporte total à reunião, garantindo o sucesso do evento. A presença do Coordenador de Educação Indígena do MEC – Gersen dos Santos Luciano Baniwa – foi determinante para os encaminhamentos da reunião, pois este prestou informações relevantes para os municípios e ainda contribuiu com sua vasta experiência nas discussões e decisões.

A reunião foi um sucesso na avaliação de todos os presentes. Os indígenas participaram ativamente de todos os debates, os municípios participantes – alguns iniciantes no que tange ao TEE – puderam acessar informações e contatos e, com isso, a educação indígena Mebengokré/Kayapó, Xikrin e Menkragnotire fica cada vez mais fortalecida e com maiores perspectivas de avanço.
            A plenária elegeu o município de Guarantã do Norte, no estado do Mato Grosso, como a sede da próxima reunião da comissão, prevista para o mês de maio do próximo ano.


segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Alunos fazem visita acadêmica à aldeia Turedjam


A turma do 2º ano do ensino médio da Escola Pitágoras, localizada no município de Ourilândia do Norte – PA, visitou no dia 16 deste mês a aldeia Turedjam, localizada na Terra Indígena Mebengokré/Kayapó, também em Ourilândia do Norte.


Como é padrão da cultura Mebengokré/Kayapó, os alunos foram recebidos cerimoniosamente com cantos e danças das crianças e dos guerreiros, além de discurso dos caciques e professores.
Acompanhados pelos professores de História, Biologia e Língua Portuguesa, os discentes caminharam em áreas de floresta para observar e catalogar espécies animais e ainda realizaram entrevista coletiva com alguns membros da comunidade, a fim de conhecer melhor sua cultura e modo de vida.

 A interação com a comunidade foi total. Os alunos jogaram vôlei, foram pintados por mulheres da aldeia e ainda adquiriram artefatos da cultura Mebengokré/Kayapó, de modo a contribuir com a geração de renda de algumas famílias.
A CR Tucumã mediou todo o processo: consultou a comunidade para a realização da visita, proferiu palestra aos alunos de forma a esclarecer aspectos do indigenismo e da cultura Mebengokré/Kayapó e ainda acompanhou as atividades durante a visita.
A atividade foi muito positiva para todos. Os alunos vivenciaram parte do cotidiano da aldeia e interagiram com todos, especialmente os jovens. A comunidade pôde apresentar sua cultura e modo de ser, o que contribui para a quebra de conceitos negativos e também para o fortalecimento de sua identidade.


Mebengokré/Kayapó participam de Oficina sobre o PBA Onça Puma


Nos dias 08, 09 e 10 ocorreu na cidade de Ourilândia do Norte a Oficina Participativa do PBA Onça Puma. Participaram do evento os servidores da FUNAI de Redenção, Tucumã e São Félix do Xingu, funcionários da empresa Vale S.A, membros da Associação Floresta Protegida, a equipe técnica elaboradora dos projetos apresentados e ainda as lideranças indígenas das aldeias Aukre, Gorotire, Kendjam, Krenhmaiti, Kikretum, Kokokuedja, Kranhkrô, Kriny, Kubenkrankenh, Moikarakô, Ngomeity, Piokrotikô, Pykararankre, Rikarô, Rio Vermelho e Turedjam.
  A oficina foi o momento de apresentação dos projetos que comporão o PBA – Plano Básico Ambiental – Kayapó, onde os indígenas puderam conhecer as propostas dos projetos, sanar dúvidas e opinar sobre as ações.
            O PBA Onça Puma corresponde a projetos que objetivam minimizar os impactos causados pelo empreendimento às comunidades Kayapó. Vale ressaltar que as comunidades não serão impactadas diretamente pelas atividades da mineradora, especialmente quanto ao meio ambiente.


Os projetos atendem às linhas de impactos identificados em estudos realizados pela equipe técnica responsável pelo PBA. Correspondem a ações de infra-estruturaurbana, monitoramento territorial, apoio às iniciativas comunitárias, educação indígena e capacitação de profissionais não-indígenas.
            A oficina foi conduzida pela equipe contratada para a elaboração dos projetos, sempre com espaço aberto à participação dos indígenas e ainda com neutralidade e compromisso com a compreensão e o esclarecimento das lideranças presentes.

            O evento foi avaliado como muito positivo por todos os participantes. Os indígenas aceitaram todas as propostas apresentadas, sem deixar de incluir pontos que consideraram pertinentes. O PBA será finalizado, com a inclusão dos pontos discutidos na oficina e, em seguida, encaminhado à CGGAM – Coordenação Geral de Gestão Ambiental da FUNAI, para que esta analise e possa dar o parecer técnico que, em caso positivo, autoriza a execução dos projetos.

            Os indígenas encerraram a oficina em clima festivo, dançando e cantando para demonstrar a alegria e a importância do momento. O desejo agora é de que o processo burocrático possa ser finalizado o quanto antes para que os projetos sejam executados e, assim, tragam benefícios para todas as comunidades contempladas.